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Vacina contra herpes-zóster reduz risco de infarto e AVC, aponta estudo

Um estudo recente publicado na renomada revista Nature Medicine trouxe à tona uma descoberta surpreendente: a vacina contra o herpes-zóster, também conhecida como vacina Shingrix, pode estar associada a uma redução significativa no risco de infartos do miocárdio (ataques cardíacos) e acidentes vasculares cerebrais (AVCs). A pesquisa analisou dados de milhões de indivíduos, comparando aqueles que receberam a vacina com um grupo de controle, e observou uma diminuição notável na incidência de eventos cardiovasculares adversos graves entre os vacinados. Essa descoberta abre novas perspectivas sobre os potenciais benefícios da imunização, indo além da prevenção direta da herpes-zóster, uma infecção viral dolorosa que afeta os nervos. O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus Varicela-Zóster, o mesmo que provoca a catapora, e pode deixar sequelas neurológicas e dores crônicas, como a neuralgia pós-herpética. A inflamação desencadeada pelo vírus no corpo tem sido associada a processos inflamatórios sistêmicos que podem, por sua vez, impactar a saúde cardiovascular. Um dos mecanismos propostos para explicar essa associação é que a vacina, ao induzir uma forte resposta imune contra o vírus, poderia modular positivamente a inflamação endovascular, um fator chave no desenvolvimento de aterosclerose e na formação de coágulos sanguíneos. A aterosclerose, o acúmulo de placas de gordura nas artérias, restringe o fluxo sanguíneo e aumenta a probabilidade de infartos e AVCs. Ao reduzir a carga inflamatória associada à infecção latente ou à própria resposta imune à infecção, a vacina poderia, teoricamente, atenuar esse processo. É importante notar que os estudos sobre a vacina contra herpes-zóster focam principalmente na sua eficácia e segurança contra a doença em si, que é definida pela sua capacidade de prevenir o aparecimento ou reduzir a gravidade dos sintomas. No entanto, a descoberta dessa possível vantagem cardiovascular adiciona uma camada de complexidade e interesse à discussão sobre programas de vacinação em larga escala e o papel da imunização na saúde pública como um todo. A pesquisa da Nature Medicine, embora promissora, ainda exige mais investigações para confirmar a causalidade e entender completamente os mecanismos biológicos subjacentes. Ensaios clínicos randomizados adicionais e análises de coorte mais extensas seriam necessários para estabelecer definitivamente uma relação de causa e efeito e determinar a magnitude exata desse benefício cardiovascular.