Reino Unido emite alerta sobre pancreatite e mortes associadas ao uso de Mounjaro e Wegovy
As autoridades reguladoras do Reino Unido emitiram um alerta importante sobre os riscos associados ao uso dos medicamentos Mounjaro e Wegovy, amplamente prescritos para o tratamento da diabetes tipo 2 e para a perda de peso. O Mecanismo de Vigilância de Efeitos Adversos a Medicamentos (Yellow Card Scheme), do MHRA (Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos de Saúde), registrou um número crescente de notificações de casos de pancreatite, uma inflamação séria do pâncreas, em pacientes que utilizam essas substâncias. Adicionalmente, foram relatadas mortes em conexão com o uso dessas canetas emagrecedoras, levantando preocupações significativas na comunidade médica e entre os pacientes.
A pancreatite é uma condição que pode variar de leve a grave, e em casos extremos pode levar a complicações com risco de vida. Os sintomas incluem dor abdominal intensa, náuseas, vômitos e febre. O MHRA enfatiza a importância de os pacientes estarem cientes desses potenciais riscos e de comunicarem imediatamente qualquer sintoma incomum ao seu médico. A avaliação médica é crucial para diagnosticar a pancreatite precocemente e iniciar o tratamento adequado, o que pode envolver a interrupção do uso do medicamento em questão.
Este alerta do Reino Unido ecoa preocupações que já vinham sendo levantadas em outros países, incluindo os Estados Unidos, onde uma onda de ações judiciais por efeitos colaterais graves de medicamentos semelhantes para emagrecimento tem se propagado. A semelhança estrutural e de mecanismo de ação entre os agonistas do GLP-1, classe a qual pertencem Mounjaro (tirzepatida) e Wegovy (semaglutida), sugere que os riscos podem ser generalizados. A tirzepatida, vendida como Mounjaro, é aprovada para diabetes, mas usada off-label para emagrecimento, enquanto a semaglutida, em doses mais altas é comercializada como Wegovy especificamente para controle de peso.
A comunidade científica continua a investigar a fundo a relação causal entre esses medicamentos e o desenvolvimento de pancreatite e outros eventos adversos. Embora esses fármacos tenham se mostrado eficazes no controle do peso e da diabetes, é fundamental que seu uso seja monitorado de perto por profissionais de saúde. A prescrição deve ser baseada em uma avaliação criteriosa do perfil de risco-benefício para cada paciente, considerando o histórico médico e a presença de fatores de risco preexistentes para pancreatite ou outras condições graves. O diálogo aberto entre médico e paciente é a pedra angular para garantir a segurança e a eficácia do tratamento.