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Protestos Marcam Véspera da Revolução Islâmica no Irã com Gritos Antigovernamentais

Na véspera das celebrações do 47º aniversário da Revolução Islâmica, o Irã foi palco de intensos protestos em diversas cidades. Moradores saíram às varandas de seus apartamentos para gritar palavras de ordem contra o regime, com destaque para o clamor popular de ‘Morte ao ditador’. Essas manifestações espontâneas, que ganharam força nas redes sociais, refletem o crescente descontentamento da população com a situação política e econômica do país, aprofundada por anos de sanções internacionais e repressão interna. A atmosfera de tensão é palpável, contrastando com os discursos oficiais que buscam projetar uma imagem de coesão e força. Embora os protestos mais visíveis tenham sido os de 2022, após a morte de Mahsa Amini, a insatisfação nunca cessou de fato, manifestando-se de formas diversas e, por vezes, subterrâneas. A repressão do regime tem sido severa, com prisões, condenações e um aparato de segurança sempre vigilante, mas a resiliência dos manifestantes, mesmo em atos simbólicos como os desta noite, demonstra a persistência do anseio por mudança. A Revolução Islâmica de 1979, liderada pelo Aiatolá Khomeini, prometeu liberdade e justiça social, mas para muitos iranianos, essas promessas se transformaram em opressão e privação, alimentando um ciclo contínuo de revolta. Em resposta a essa efervescência, o líder supremo, Aiatolá Ali Khamenei, fez um pronunciamento televisionado pedindo união ao povo iraniano e conclamando a uma demonstração de força nas ruas. Khamenei buscou historicamente mobilizar seus apoiadores para as celebrações oficiais, utilizando-as como um contraponto às críticas internas e externas. A mensagem de união visa reforçar a narrativa oficial de que o povo iraniano está unido em torno dos ideais da República Islâmica e que as manifestações de descontentamento são orquestradas por inimigos estrangeiros, como os Estados Unidos. A história da Revolução Islâmica é marcada por conquistas, como a independência nacional e um papel relevante na geopolítica regional, mas também por um cerco permanente e pela consolidação de um sistema teocrático que restringe liberdades civis e políticas. A convocação de Khamenei para que o povo vá às ruas na quarta-feira (11) parece ser uma tentativa de neutralizar o impacto dos protestos independentes e garantir a visibilidade da sua base de apoio. A dinâmica atual no Irã é complexa, com um governo que tenta reafirmar seu poder e uma parcela significativa da população que anseia por transformações profundas, gerando uma tensão constante que pode eruptar em momentos de maior visibilidade, como este feriado. O cenário atual é um reflexo das décadas de conflitos ideológicos e disputas de poder que moldaram o Irã pós-revolucionário. Enquanto o regime busca perpetuar sua influência através da mobilização de apoiadores e do controle da narrativa, os atos de protesto nas varandas e as manifestações de descontentamento nas redes sociais indicam que a voz da oposição, mesmo diante da repressão, continua a ecoar. O desfecho desses movimentos e a resposta das autoridades moldarão o futuro político e social do país nos próximos anos, em um contexto global cada vez mais atento às dinâmicas internas iranianas.