Carregando agora

Bancos Preveem Desaceleração do Crédito e Corte da Selic em Março de 2026

A análise do setor bancário para o ano de 2026 aponta para um cenário de otimismo contido, com projeções que indicam uma desaceleração controlada no ritmo de crescimento do crédito. Se por um lado a expectativa é de uma expansão ligeiramente maior do que o inicialmente previsto, saindo de 7,9% para 8,2%, por outro, os bancos já sinalizam que o ritmo tende a esfriar lentamente ao longo do ano. Essa moderação no fluxo de empréstimos é geralmente vista como um indicativo de um mercado mais equilibrado, mas também exige monitoramento quanto à saúde financeira dos tomadores de crédito.

Um dos principais fatores que influenciam essas projeções é a política monetária do Banco Central. Segundo as pesquisas, a maioria dos bancos acredita que o ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic, terá seu início apenas em março de 2026. Essa expectativa de que a taxa permanecerá em patamares mais elevados até o início do próximo ano sugere uma cautela por parte das instituições em relação à flexibilização das condições de crédito antecipadamente. A taxa Selic, como principal instrumento de política monetária, impacta diretamente o custo do dinheiro e, consequentemente, a demanda por crédito e a rentabilidade do sistema financeiro.

Paralelamente à expectativa de desaceleração do crédito, os bancos também projetam um leve aumento na taxa de inadimplência para 2026. Este indicador, que mede o percentual de dívidas em atraso, é um termômetro crucial da saúde econômica dos consumidores e empresas. Um ligeiro aumento pode ser atribuído a diversos fatores, como a própria descompressão da atividade econômica, a normalização após períodos de estímulos ou o aumento do endividamento em períodos anteriores. As instituições financeiras se preparam para gerenciar esses riscos, ajustando suas carteiras e estratégias de cobrança.

Outros elementos importantes do planejamento econômico para 2026, como a meta fiscal e a trajetória da inflação, também são monitorados de perto pelos bancos. A articulação entre a política fiscal e monetária é fundamental para a estabilidade econômica. Uma meta fiscal bem definida e alcançável, aliada a um controle inflacionário consistente, criam um ambiente mais previsível e favorável para os negócios, incluindo o setor financeiro. A confiança dos agentes econômicos na capacidade do governo em gerir as contas públicas e manter a inflação sob controle é um fator determinante para a evolução do crédito e dos investimentos.