O Papel Feminino na Queda de El Mencho e o Legado do Narcotráfico no México
A ascensão e eventual declínio de figuras como El Mencho, líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), o mais poderoso do México e um dos mais temidos do mundo, frequentemente eclipsam a complexa teia de relacionamentos e influências que moldam o poder no crime organizado. Nos últimos anos, investigações e narrativas têm apontado para o papel, muitas vezes subestimado, de mulheres dentro e fora das estruturas criminosas. A dinâmica entre a esposa, a amante e outras figuras femininas pode ser crucial na ascensão e queda de líderes de cartéis, servindo tanto como pilares de apoio quanto como elementos de desestabilização. A estrutura familiar e afetiva de um líder do narcotráfico pode gerar rivalidades internas, alianças estratégicas e vulnerabilidades exploradas por rivais ou pelas autoridades. A aparente reivindicação do corpo de El Mencho pela sua família à Procuradoria-Geral do México, noticiada pelo UOL, sublinha a importância dos laços familiares, que, no contexto do narcotráfico, podem ser tanto uma fonte de lealdade quanto de conflito. A falta de uma confirmação oficial sobre a morte, contrastando com declarações como a de Donald Trump, sobre a inteligência mexicana ter derrubado o líder, expõe a guerra de informação que frequentemente acompanha a queda de grandes narcotraficantes. Essas narrativas divergentes criam um vácuo de certeza, intensificando a apreensão. A apreensão expressa pelos moradores do México, que temem retaliações do cartel após a morte de El Mencho, como reportado pelo O Globo, é uma realidade palpável e recorrente no país. A história do narcotráfico mexicano é marcada por ciclos de violência intensa após o enfraquecimento ou eliminação de figuras centrais. O CJNG, conhecido por sua brutalidade e ampla capacidade de mobilização, representa uma ameaça significativa, e a incerteza sobre o destino de seu líder pode desencadear uma onda de violência e instabilidade, afetando diretamente a segurança e o cotidiano da população. Além disso, a relação extraconjugal, frequentemente associada a figuras de poder, pode desempenhar um papel inesperado. No caso de líderes de cartéis, envolvimentos amorosos podem gerar ciúmes, disputas por poder e acesso a informações privilegiadas, fatores que podem ser explorados tanto por investigações criminais quanto por grupos rivais. A própria ambição e as redes de influência construídas por mulheres em torno de figuras como El Mencho podem ser tanto fatores de sua sustentação quanto de sua eventual ruína. A forma como essa intrincada rede de relações, combinada com a guerra contra o narcotráfico travada pelas autoridades, culmina na queda de um líder é um reflexo complexo da realidade mexicana. O diálogo telefônico entre Donald Trump e a presidente eleita do México, Claudia Sheinbaum, após as notícias sobre El Mencho, conforme noticiado pelo Estadão, evidencia a dimensão internacional do problema do narcotráfico e a cooperação (ou a tentativa dela) entre países no combate a esse flagelo. A colaboração em inteligência e a coordenação de esforços são essenciais para desarticular organizações criminosas transnacionais. A queda de El Mencho, se confirmada, é um indicativo da pressão contínua sobre o CJNG, mas a luta contra o narcotráfico no México é uma batalha de longo prazo que exige estratégias multifacetadas e um compromisso constante das autoridades e da sociedade civil.