Ministério da Saúde barra novo remédio para proteger rins de diabéticos no SUS
O Ministério da Saúde anunciou que não incorporará um novo medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) destinado à proteção renal de pacientes diabéticos. A decisão, que mantém a negativa após análise, gerou descontentamento na comunidade médica e entre os pacientes que sofrem com as complicações da doença renal crônica (DRC) associada ao diabetes. A busca por alternativas terapêuticas eficazes para retardar a progressão da DRC em diabéticos é uma prioridade dada a alta prevalência da doença e o impacto significativo na qualidade de vida.
O medicamento em questão, que atua através de um mecanismo de ação inovador para a classe, demonstrou em estudos clínicos potenciais benefícios na redução da proteinúria e na preservação da função renal em indivíduos com diabetes tipo 2. A exclusion da lista do SUS significa que o acesso a essa nova opção terapêutica será restrito à esfera privada, limitando o alcance para a vasta maioria da população brasileira que depende do sistema público de saúde. Profissionais de saúde expressam preocupação com a falta de acesso a tratamentos de ponta que poderiam melhorar o prognóstico de seus pacientes.
A doença renal crônica em diabéticos é uma das principais causas de insuficiência renal em todo o mundo e representa um desafio considerável para os sistemas de saúde. O controle glicêmico e a hipertensão arterial são pilares no manejo, mas frequentemente não são suficientes para impedir a progressão da doença. Novas classes de medicamentos, como os inibidores do SGLT2 e os agonistas do receptor de GLP-1, têm se mostrado eficazes em reduzir eventos cardiovasculares e renais, mas a incorporação de novas opções de menor custo e maior eficácia é sempre desejada.
A análise para incorporação de novas tecnologias no SUS envolve rigorosos critérios de custo-efetividade e impacto orçamentário. É fundamental que as decisões sejam baseadas em evidências científicas robustas e considerem a sustentabilidade do sistema a longo prazo. Contudo, a ausência de tratamentos inovadores pode perpetuar o ciclo de internações, diálise e transplantes, gerando custos ainda maiores para o SUS no futuro. O debate sobre o acesso a medicamentos de alto impacto para doenças crônicas no Brasil é contínuo e complexo, envolvendo a sociedade civil, pacientes, indústria farmacêutica e órgãos decisórios.