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México descarta acordo de livre comércio com o Brasil, mas busca cooperação em outros setores

Apesar de um tom cordial nas recentes interações entre Brasil e México, com a assinatura de acordos em cooperação em vacinas de RNA mensageiro e regulação sanitária, a possibilidade de um acordo de livre comércio entre as duas maiores economias da América Latina foi oficialmente descartada pelo governo mexicano. A declaração partiu do próprio presidente Andrés Manuel López Obrador, indicando uma prioridade diferente para as relações bilaterais, que parecem focar mais em nichos setoriais específicos do que numa liberalização comercial ampla. A notícia foi divulgada por fontes oficiais e repercutida na imprensa, gerando reações diversas no setor produtivo brasileiro, especialmente no agronegócio, que via com bons olhos a perspectiva de acesso facilitado ao mercado mexicano. A posição mexicana pode estar alinhada com uma estratégia de proteção a setores considerados estratégicos ou com o fortalecimento de cadeias produtivas regionais, onde o México já possui acordes consolidados com outros parceiros na América do Norte. A ausência de um acordo de larga escala não significa, contudo, o fim das negociações e cooperações pontuais que podem beneficiar ambos os países, como já demonstrado na área de saúde. O agronegócio brasileiro, um dos motores da economia nacional, esperava que a recente visita do vice-presidente Geraldo Alckmin ao México pudesse pavimentar o caminho para uma maior abertura de mercado para seus produtos. Embora as conversas tenham abordado a expansão de mercados para o agro, a decisão de não avançar para um acordo de livre comércio sugere que outras barreiras, sejam elas tarifárias ou não-tarifárias, podem persistir ou que o foco mexicano está direcionado a outros acordos regionais. A dinâmica comercial entre Brasil e México tem sido marcada por uma relação de proximidade política em determinados momentos, mas também por desafios estruturais. A decisão mexicana de não buscar um acordo de livre comércio pode ser interpretada como uma reafirmação de suas prioridades econômicas e geopolíticas, possivelmente influenciada pelo poderio econômico de seus vizinhos do norte. Este cenário força o Brasil a buscar outras estratégias para expandir suas exportações e fortalecer laços comerciais na região, explorando as áreas de interesse mútuo que foram, de fato, reconhecidas pelas autoridades de ambos os países.