Lula critica Bolsonaro e aborda crise global com ironia a Trump e Eduardo Bolsonaro
Em um tom incisivo, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou o ex-presidente Jair Bolsonaro como uma mera “coisa”, demonstrando um forte descontentamento com o adversário político. A crítica se estende a um episódio onde Lula alega que um dos filhos de Bolsonaro teria solicitado ameaças por parte de Donald Trump. Essa declaração, divulgada pelo Poder360, aponta para um nível de animosidade pessoal e política que transcende as divergências ideológicas usuais, sugerindo uma busca por deslegitimar o oponente em diversas esferas. A menção a Trump, figura central na política internacional recente, confere um contorno de relevância global à disputa interna brasileira, embora a natureza exata dessa suposta solicitação de ameaças permaneça em aberto para interpretação.
A postura de Lula diante da conjuntura internacional também tem sido alvo de análise. Em artigo publicado, abordou a crise da ordem global de forma abrangente, mas, segundo analistas ouvidos pelo Estadão, deixou de mencionar explicitamente o papel de potências como Rússia e China nas dinâmicas de poder e nas tensões globais. Essa omissão levanta questionamentos sobre a estratégia de comunicação e o alinhamento geopolítico do ex-presidente, especialmente em um momento em que as relações internacionais estão marcadas por reconfigurações significativas e pela ascensão ou consolidação de novos blocos de influência. A ausência de um posicionamento mais direto sobre o protagonismo de outras nações pode ser interpretada como uma tentativa de evitar nitroglicerina em um espectro mais amplo de alianças ou um reflexo de uma visão estratégica que prioriza outros aspectos da crise.
Além disso, Lula tem demonstrado um lado mais irreverente em suas manifestações, como evidenciado pela simulação de vozes para ironizar Donald Trump e Eduardo Bolsonaro. A cena, capturada pelo G1, onde ele imita frases como “Solta meu pai”, sugere uma estratégia de desconstrução do adversário através do humor e da personificação, buscando humanizar sua própria figura e, concomitantemente, ridicularizar figuras políticas adversárias. Essa tática, embora possa gerar engajamento e simpatias, também corre o risco de ser vista como superficial por parte do eleitorado, que pode esperar de uma liderança política com pretensões presidenciais um debate mais aprofundado sobre os problemas nacionais e internacionais.
Em paralelo a essas manifestações, Lula também se posicionou sobre a globalização, defendendo-a como um projeto a ser mantido e não descontinuado. Em declarações ao Consultor Jurídico, ele aponta que “muitos querem acabar com a globalização. Eu digo que seria um erro”. Essa defesa, contudo, vem em um contexto de crescentes movimentos protecionistas e nacionalistas ao redor do mundo, que questionam os benefícios da integração econômica global e seus impactos sociais. A posição de Lula, portanto, o coloca em um campo de debate que envolve não apenas a economia, mas também as visões de mundo sobre cooperação internacional, soberania e distribuição de riqueza em um cenário profundamente interconectado.