Líder iraniano apela por repressão severa contra manifestantes, enquanto número de mortos em protestos cresce
Em um discurso inflamado, o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, fez um chamado contundente para que as autoridades do país reajam com máxima severidade contra os manifestantes, referindo-se a eles como ‘sediciosos’. Essa retórica sugere uma política de tolerância zero por parte do regime diante dos protestos que, segundo relatos, já se estendem por um período considerável e têm sido marcados por um alto número de vítimas. A intensidade do apelo de Khamenei reflete a preocupação do governo iraniano em conter qualquer forma de dissidência que ameace a estabilidade interna e o poder estabelecido. A ordem para ‘quebrar as costas’ é uma metáfora forte para a repressão física e a eliminação de qualquer oposição. Esta postura autoritária tem sido uma constante na história recente do Irã, onde a liberdade de expressão e de reunião são restritas e a segurança do Estado tem precedência sobre os direitos individuais. As manifestações, muitas vezes motivadas por questões socioeconômicas e políticas, frequentemente encontram uma resposta violenta por parte das forças de segurança. As mortes que emanam desses confrontos têm sido um ponto de grande controvérsia, com diferentes narrativas sobre a sua origem e responsabilidade. Uma agência ligada ao regime iraniano divulgou um número alarmante, indicando que aproximadamente 5.000 pessoas teriam perdido suas vidas em decorrência dos protestos. Este número, caso confirmado, seria um dos mais altos registrados em confrontos entre manifestantes e forças de segurança em anos recentes. A disseminação dessa informação, mesmo que proveniente de fontes oficiais, pode servir a diversos propósitos, incluindo a legitimidade da resposta estatal ou, inversamente, a pressão internacional. A questão da veracidade desses números e das circunstâncias exatas das mortes é de difícil apuração, dada a opacidade do regime iraniano e o controle rigoroso da informação. Fontes independentes e organizações de direitos humanos frequentemente divergem dos números oficiais. Coincidentemente ou não, o líder supremo Ali Khamenei reiterou acusações contra o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, atribuindo a ele parte da responsabilidade pelas mortes ocorridas durante as manifestações. Esta estratégia de culpar potências estrangeiras por problemas internos não é nova e é frequentemente utilizada por regimes autoritários para desviar a atenção das falhas de governança e para unificar a população contra um inimigo externo comum. A intervenção dos Estados Unidos, especialmente sob a administração Trump, com sanções e retórica hostil, de fato aumentou as tensões na região e impactou a economia iraniana, o que pode ter contribuído para o descontentamento popular. No entanto, atribuir a Trump a culpa direta pelas mortes é uma simplificação que ignora as complexas dinâmicas sociais, econômicas e políticas internas do Irã, além da própria ação repressiva do regime. A menção de que uma ação militar de Trump no Irã poderia ter criado mais caos do que as intervenções no Iraque e Afeganistão aponta para um receio, por parte do regime, de que uma escalada do conflito com os EUA pudesse desestabilizar ainda mais a região, com consequências imprevisíveis. Essa narrativa, embora possa ter um fundo de verdade quanto aos riscos de uma intervenção militar externa, também serve como um argumento para justificar a manutenção do status quo e a necessidade de repressão interna para evitar um colapso ainda maior. O Irã, como muitos países da região, é palco de profundas divisões internas e influências geopolíticas externas, tornando qualquer análise de sua situação complexa e multifacetada. A escalada da retórica de Khamenei e os altos números de mortos em protestos pintam um quadro sombrio para os direitos humanos e a estabilidade política no Irã.