Ali Khamenei admite mortes em protestos no Irã e culpa EUA e Israel
Em uma declaração sem precedentes, o Líder Supremo do Irã, Ali Khamenei, admitiu pela primeira vez a ocorrência de mortes durante os protestos que assolaram o país nas últimas semanas. A confissão, que rompe com a narrativa oficial de controle e pacificação, surge em meio a relatos alarmantes de repressão brutal, incluindo o uso de armas de fogo contra manifestantes e alvos civis. Essa admissão, embora tardia, representa um ponto de inflexão na crise, expondo a gravidade da situação e o descontentamento popular latente sob o regime. A confirmação de mortes corrobora as informações que circulam em diversas agências de notícias e organizações de direitos humanos, que documentam a violência perpetrada pelas forças de segurança. Relatos descrevem corpos enfileirados e disparos efetuados diretamente na cabeça de civis desarmados, evidenciando a desproporcionalidade da resposta governamental. A utilização de armamento pesado, como metralhadoras, em áreas urbanas é particularmente preocupante e sugere um nível de força letal que ultrapassa as necessidades de contenção de distúrbios. Nesse contexto, Khamenei direcionou a culpa para atores externos, nomeando explicitamente os Estados Unidos e Israel como orquestradores da insurgência. Essa estratégia de atribuir responsabilidade a potências estrangeiras é uma tática recorrente em regimes autoritários para desviar a atenção de problemas internos e consolidar o apoio nacional em torno de um inimigo comum. Ao classificar o ex-presidente dos EUA, Donald Trump, como ‘criminoso’, Khamenei busca reforçar essa narrativa e pressionar por responsabilização internacional, o que, por sua vez, pode intensificar as tensões geopolíticas na região. A acusação de que EUA e Israel estariam por trás de ‘milhares de mortes’ nas manifestações não encontra, até o momento, comprovação independente e visa a deslegitimar os protestos como um movimento genuíno do povo iraniano. A retórica de Khamenei sugere que a instabilidade é fruto de uma conspiração externa, e não de um reflexo do descontentamento popular com questões como a crise econômica, a falta de liberdades civis e a repressão política. A possibilidade de uma ação militar americana contra o Irã, levantada por alguns analistas, é vista como um fator que poderia exacerbar ainda mais a instabilidade, comparando-se cenários de caos em conflitos anteriores no Iraque e Afeganistão. A admissão de mortes por parte do líder supremo, aliada às acusações contra potências estrangeiras, cria um cenário complexo e de alta volatilidade, cujas implicações para a segurança regional e global ainda são incertas.