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Juros Altos Dificultam Acesso ao Crédito para 80% das Indústrias, Aponta Pesquisa da CNI

A alta taxa de juros, atualmente em patamares que desestimulam o endividamento, tem se configurado como o principal gargalo para a expansão e a manutenção das atividades das indústrias no Brasil. Segundo a pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), oito em cada dez empresas do setor apontam a dificuldade de acesso ao crédito como um obstáculo intransponível para seus planos de crescimento e para a gestão de suas operações correntes. Isso se traduz em um cenário de desaceleração, onde a falta de capital de giro ou a inviabilidade de novos investimentos em maquinário e tecnologia comprometem a competitividade. O custo do dinheiro, refletido nas taxas de juros, torna qualquer operação de crédito, seja ela para expansão de capacidade produtiva, aquisição de insumos ou mesmo para honrar compromissos de curto prazo, excessivamente onerosa, forçando muitas empresas a adiarem ou cancelarem projetos essenciais. Essa conjuntura de crédito restrito e caro tem um efeito cascata sobre a economia. Com as indústrias operando aquém de seu potencial, a geração de empregos diretos e indiretos é afetada, a demanda por serviços de fornecedores diminui, e o dinamismo econômico como um todo é prejudicado. A CNI sugere que políticas monetárias mais flexíveis e a redução da taxa básica de juros são cruciais para reverter esse quadro, permitindo que o setor industrial volte a ter fôlego para inovar, gerar valor e contribuir significativamente para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. A dificuldade em obter crédito não afeta apenas os grandes conglomerados, mas atinge com especial severidade as pequenas e médias empresas, que possuem menor poder de barganha e acesso a linhas de financiamento mais restritas, agravando ainda mais a concentração e a desigualdade dentro do próprio setor industrial. O impacto da alta taxa de juros no acesso ao crédito transcende a esfera empresarial e afeta diretamente a vida dos trabalhadores e consumidores. A desaceleração industrial pode levar a demissões, redução de salários e diminuição na oferta de bens e serviços, o que, por sua vez, pode pressionar a inflação e diminuir o poder de compra da população. A expectativa é que o Banco Central, ao avaliar os próximos passos da política monetária, considere seriamente os efeitos dessa dificuldade de acesso ao crédito sobre a economia real, buscando um equilíbrio entre o controle inflacionário e a necessidade de estimular a atividade econômica e o investimento produtivo. Diante desse cenário desafiador, a indústria brasileira clama por um ambiente econômico mais favorável, onde o crédito seja acessível e com taxas competitivas. Isso permitiria não apenas a recuperação de empresas em dificuldades, mas também o fomento de novas iniciativas e a modernização do parque fabril, garantindo que o Brasil possa competir em igualdade de condições no cenário global e fortalecer sua base industrial, gerando desenvolvimento sustentável e prosperidade para todos. Outras medidas, como a desburocratização de processos e a criação de fundos de garantia e linhas de crédito subsidiadas, também poderiam complementar os esforços para democratizar o acesso ao financiamento.