Haddad indica Guilherme Mello para diretoria do Banco Central
A indicação de Guilherme Mello para a diretoria do Banco Central marca um momento de atenção para o mercado financeiro e para os debates sobre a condução da política monetária no Brasil. Mello é um economista com um histórico de pensamento considerado progressista, e sua nomeação para um cargo tão chave no BC sugere uma possível influência do Ministério da Fazenda nas decisões que afetam a inflação, juros e o câmbio. Sua trajetória inclui passagens pelo IPEA e um papel importante na formulação de políticas no atual governo, o que o credencia para o cargo aos olhos do ministro Haddad.
Guilherme Mello é formado em economia pela Universidade de São Paulo (USP) e possui mestrado pela mesma instituição. Sua experiência profissional abrange diversas áreas, com destaque para seu trabalho em pesquisa econômica e análise de conjuntura. Antes de assumir a Secretaria de Política Econômica, ele atuou como diretor de estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), onde liderou estudos sobre temas como desenvolvimento, desigualdade e política fiscal. Sua formação acadêmica e sua atuação em instituições de pesquisa o preparam para lidar com o complexo arcabouço técnico exigido pela diretoria do Banco Central.
A indicação de Mello para o Banco Central também evoca discussões sobre a autonomia da instituição. O Banco Central possui autonomia formal desde 2021, uma medida que visava blindar as decisões de política monetária de influências políticas de curto prazo. No entanto, a nomeação de diretores é feita pelo Presidente da República, após sabatina e aprovação pelo Senado, o que sempre abre margens para debates sobre o perfil dos indicados e suas potenciais visões sobre a condução da economia. A escolha de um nome com o perfil de Mello pode ser interpretada de diferentes maneiras, dependendo da perspectiva.
O mercado financeiro acompanhará de perto a sabatina de Guilherme Mello no Senado e, caso aprovado, suas primeiras manifestações e decisões como diretor do Banco Central. A composição da diretoria é crucial para a continuidade ou alteração da estratégia monetária vigente, que tem como principal objetivo o controle da inflação. A nomeação de Mello pode sinalizar uma postura mais intervencionista ou um foco maior em outros indicadores macroeconômicos, além da inflação, como crescimento e emprego, embora a luta contra a alta dos preços permaneça como um mandato central.