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Hábito Matinal Ignorado: 90% dos Ataques Cardíacos Associados a Padrão de Sono Não Convencional

Pesquisas inovadoras estão revelando que a principal causa de ataques cardíacos pode não ser aquilo que se costuma culpar. Contrariando a sabedoria popular que aponta a alimentação inadequada ou o estresse crônico como vilões, um alto percentual, cerca de 90%, dos eventos cardíacos graves estariam associados a um hábito matinal pouco discutido: o padrão de sono. Este achado sugere uma reavaliação completa das estratégias de prevenção cardiovascular, colocando a higiene do sono em destaque. A ciência tem demonstrado que o nosso relógio biológico interno, conhecido como ritmo circadiano, desempenha um papel crucial na regulação de diversas funções corporais, incluindo a saúde do coração. Quando este relógio é constantemente dessincronizado, seja por horários erráticos de sono ou por uma preferência natural por atividades noturnas, o corpo entra em um estado de estresse fisiológico. Isso pode levar a alterações na pressão arterial, níveis de açúcar no sangue e inflamação, todos fatores de risco conhecidos para doenças cardiovasculares. O estudo em questão, ao analisar dados de um grande número de participantes, identificou uma correlação notável entre ser uma pessoa noturna (ou ‘coruja’) e um risco aumentado de infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC). Este padrão de sono tardio e, consequentemente, de manhã mais lenta, parece desregular os sistemas fisiológicos que protegem o coração. A cronodisrupção, como é tecnicamente chamada, afeta a liberação de hormônios, a função metabólica e até mesmo a reparação celular, criando um ambiente propício para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. É importante notar que os efeitos parecem ser ainda mais pronunciados em mulheres. As diferenças hormonais e fisiológicas entre os sexos podem tornar as mulheres mais suscetíveis aos impactos negativos da dessincronização circadiana. Isso destaca a necessidade de abordagens personalizadas na prevenção e tratamento de doenças cardíacas, considerando não apenas os hábitos de vida, mas também as particularidades biológicas de cada indivíduo. Recomendações de saúde pública podem precisar ser revistas para enfatizar não apenas a dieta e o exercício, mas também a importância de um padrão de sono regular e alinhado com o ciclo natural dia-noite para a manutenção da saúde cardiovascular em toda a população.