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Fiocruz Inicia Estudo Inovador com Injeção Semestral Contra HIV no SUS

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em colaboração com outras instituições de pesquisa e o Sistema Único de Saúde (SUS), está conduzindo um estudo de grande relevância clínica e social em sete cidades brasileiras. O foco principal da pesquisa é avaliar a eficácia e a segurança de uma nova formulação injetável de longa duração, administrada semestralmente, para a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV. Esta inovação representa um avanço significativo na prevenção, especialmente para populações com dificuldades de adesão a regimes diários de comprimidos, como a PrEP oral. A introdução de uma injeção a cada seis meses pode aumentar consideravelmente as taxas de cobertura e reduzir a incidência do vírus.

O medicamento em teste é o lenacapavir, um inibidor da transcriptase reversa análogo de nucleosídeo (INTR) de longa ação. Seu mecanismo de ação envolve a inibição da enzima transcriptase reversa, essencial para a replicação do HIV dentro das células. Por ser administrado de forma injetável, o lenacapavir mantém níveis terapêuticos no organismo por um período prolongado, garantindo proteção contínua. Sua aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso em outras indicações já sinalizava o potencial desta classe de antirretrovirais, e agora sua aplicação na PrEP é um passo crucial.

As sete cidades selecionadas para o estudo abrigam diversas realidades sociodemográficas, o que permitirá à Fiocruz coletar dados valiosos sobre a aplicabilidade da injeção em diferentes contextos. Manaus, por exemplo, integra essa rede, refletindo a importância de levar soluções de prevenção a regiões com desafios específicos no controle do HIV. A pesquisa visa gerar evidências robustas para subsidiar a incorporação desta nova ferramenta de prevenção no rol de serviços oferecidos pelo SUS, ampliando o acesso e a efetividade das estratégias de combate à epidemia

Os resultados deste estudo são aguardados com grande expectativa pela comunidade científica e pelos órgãos de saúde pública. A possibilidade de uma injeção contra o HIV com aplicação semestral pode simplificar drasticamente a vida de muitas pessoas, diminuindo o estigma associado ao uso diário de medicamentos e facilitando a manutenção da proteção. Este avanço, que une ciência de ponta e políticas públicas inovadoras, tem o potencial de transformar o cenário da prevenção do HIV no Brasil e inspirar outras nações.