Fim dos Orelhões em SC: Aposentadoria de um Ícone Nacional Prevista para 2026
A contagem regressiva para o desaparecimento dos orelhões em Santa Catarina começou, com a previsão de que em 2026 eles se tornem peças de museu. Essa mudança acende uma luz sobre a evolução tecnológica e a adaptação das infraestruturas de comunicação às novas realidades. Criados em um contexto onde a telefonia fixa era o principal meio de comunicação à distância, os orelhões desempenharam um papel crucial na democratização do acesso a chamadas, conectando pessoas e viabilizando emergências em momentos de necessidade. Sua presença em praças, ruas e prédios públicos era quase onipresente, tornando-se um elemento familiar e confiável na vida cotidiana de milhões de brasileiros.
Apesar de sua importância histórica e social, a popularização dos smartphones e a expansão das redes de telefonia móvel tornaram o uso dos orelhões cada vez mais raro. As concessionárias de telefonia, imersas em um cenário de concorrência acirrada e de demanda por serviços mais modernos, veem na retirada dos orelhões uma medida necessária para otimizar recursos e investir em novas tecnologias. A notícia da aposentadoria desses aparelhos levanta debates sobre a exclusão digital, pois, embora a maioria da população tenha acesso a smartphones, ainda existem camadas da sociedade que dependem dos telefones públicos, seja por questões financeiras, de infraestrutura ou de familiaridade com a tecnologia.
A história do orelhão é fascinante e intrinsecamente ligada à cultura brasileira. Projetado pela arquiteta chinesa Chu Ming Silveira, o design icônico, inspirado em uma ostra, não só otimizava a acústica, mas também protegia o usuário das intempéries e do barulho externo, oferecendo um espaço de relativa privacidade para a conversa. O aparelho se tornou um símbolo nacional, representando um Brasil que se modernizava e buscava integrar seus cidadãos através da comunicação. Sua retirada das ruas, portanto, representa mais do que a simples desativação de um serviço, é o encerramento de um capítulo importante na história das telecomunicações e da vida social no país.
Enquanto Santa Catarina se prepara para se despedir dos orelhões, o restante do Brasil também avança nessa transição. Dados indicam que um número expressivo de orelhões ainda está ativo em todo o país, mantendo um serviço essencial para uma parcela da população. O desafio futuro reside em garantir que a exclusão digital não se aprofunde com essa e outras transformações tecnológicas, buscando alternativas e políticas públicas que assegurem o direito à comunicação para todos os cidadãos, independentemente de sua condição socioeconômica ou de sua familiaridade com as novas tecnologias.