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Escolas Cívico-Militares Estreiam em SP com Erros de Português e Debate sobre Adaptação

A rede estadual de São Paulo iniciou a operação de 100 escolas sob o modelo cívico-militar nesta segunda-feira, 2 de fevereiro. A iniciativa, que visa trazer disciplina e ordem inspiradas em instituições militares, já gerou burburinho, não apenas pela novidade em si, mas também por um incidente que chamou a atenção para a importância da língua portuguesa e da adaptação. Um policial militar, que atua como monitor nessas escolas, cometeu erros de ortografia ao escrever palavras como “descançar” e “continêcia” em comunicados. Esse deslize, embora pontual, abriu espaço para discussões sobre a qualificação dos profissionais envolvidos e a necessidade de um processo de integração e treinamento mais robusto para todos os participantes do programa.

A implantação do modelo cívico-militar em São Paulo tem sido objeto de debates acalorados. Defensores do projeto argumentam que a estrutura militarizada pode inibir a violência, melhorar o desempenho acadêmico e incutir valores de civismo e respeito. Deputados, como o mencionado que esteve presente na implantação em Sorocaba, já anunciaram investimentos, sinalizando o apoio político à expansão e consolidação desta proposta educacional. A expectativa é que a presença de militares no ambiente escolar proporcione um ambiente mais seguro e propício ao aprendizado.

Contudo, a resistência e as preocupações também são palpáveis. Há relatos de desconforto por parte de alunos e educadores com a rigidez da continência e a execução do hino nacional, elementos que podem parecer estranhos ao cotidiano escolar tradicional. O receio é que o foco excessivo na disciplina militar possa sufocar a criatividade, a autonomia e o espírito crítico dos estudantes. A adaptação a essa nova rotina, que impõe regras e condutas mais severas, é um dos desafios que as escolas e toda a comunidade escolar precisarão enfrentar, buscando um equilíbrio entre a ordem e o desenvolvimento integral do aluno.

O caso dos erros de português, por sua vez, serve como um alerta. A educação de qualidade passa, invariavelmente, pelo domínio da linguagem e pela comunicação eficaz. Se os próprios monitores e gestores não demonstram proficiência em aspectos básicos da língua, a credibilidade do modelo pode ser abalada, e a mensagem transmitida aos alunos pode ser contraditória. É fundamental que os programas de formação para essas escolas contemplem não apenas a gestão e a disciplina, mas também a excelência na comunicação, garantindo que a proposta de valor do modelo cívico-militar seja implementada com a solidez esperada, sem falhas que comprometam seu propósito fundamental.