Setor Empresarial e Partidos Políticos Se Unem Contra o Fim da Escala 6×1
O debate sobre a potencial extinção da escala de trabalho 6×1, amplamente utilizada no Brasil, tem gerado fortes reações de empresários e de lideranças políticas. Recentemente, presidentes de importantes partidos, como o PL e o União Brasil, manifestaram publicamente que trabalharão ativamente nos bastidores para barrar a proposta, que visa reduzir a jornada de trabalho e, consequentemente, alterar modelos de escala. Essa articulação demonstra a força do lobby empresarial e a preocupação com os impactos econômicos que a mudança poderia acarretar para diversos setores. A polarização em torno do tema reflete um conflito de interesses entre trabalhadores, que buscam melhores condições de vida e maior tempo de lazer, e empregadores, que temem o aumento de custos operacionais e a necessidade de reestruturar fluxos de produção e atendimento.
As projeções sobre os custos dessa mudança são alarmantes para o setor comercial. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) estimou que o fim da escala 6×1 poderia gerar um prejuízo anual de R$ 122,4 bilhões apenas para o comércio. Outro estudo da mesma entidade aponta um custo total de R$ 357 bilhões para a economia brasileira. Esses números, embora contestados por defensores da redução da jornada, evidenciam a magnitude do impacto financeiro e a complexidade de uma eventual transição para regimes de trabalho alternativos. A CNC argumenta que a adoção de jornadas menores ou a necessidade de contratar mais funcionários para cobrir as horas não trabalhadas elevariam significativamente os encargos trabalhistas e operacionais das empresas, tornando a manutenção da competitividade um desafio ainda maior.
Figuras proeminentes do mundo empresarial também têm se posicionado. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Josino, em encontros com empresários e políticos, defendeu que a discussão sobre o fim da escala 6×1 seja adiada para 2027. Essa demanda por postergação visa dar mais tempo para que as empresas se preparem para as mudanças, avaliem os reais impactos e busquem soluções sustentáveis que não comprometam a saúde financeira dos negócios. A expectativa é que, com mais tempo, seja possível encontrar um modelo de jornada de trabalho que harmonize as necessidades dos empregadores com as demandas por qualidade de vida dos trabalhadores, evitando choques bruscos na estrutura produtiva nacional.
A articulação política em torno da manutenção da escala 6×1 indica que o tema se tornou uma pauta relevante em meio a discussões sobre legislação trabalhista e desenvolvimento econômico. A participação de líderes de partidos como o PL e o União Brasil sugere um esforço conjunto para influenciar a decisão final sobre a matéria, possivelmente através de emendas, negociações legislativas ou campanhas de conscientização pública. A batalha pela escala 6×1 promete ser um dos debates mais acirrados no Congresso nos próximos meses, com desdobramentos significativos para o futuro do mercado de trabalho e a economia brasileira.