DF recebe 13 milhões de mosquitos Wolbachia para combater a dengue
O Distrito Federal se tornou palco de uma iniciativa pioneira e de grande escala no combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya. Nesta semana, foram soltos aproximadamente 13 milhões de mosquitos machos geneticamente modificados com a bactéria Wolbachia em diversas regiões do DF. A estratégia, desenvolvida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e outras instituições, aposta na liberação desses insetos em ambiente natural para que se reproduzam com as fêmeas do Aedes aegypti selvagens. A presença da bactéria Wolbachia nos mosquitos machos interfere na viabilidade dos ovos das fêmeas selvagens, impedindo que eles eclodam e, consequentemente, reduzindo a população do vetor em longo prazo. Os mosquitos liberados são machos e não picam humanos, sendo considerados seguros para a população e para o meio ambiente. A iniciativa busca oferecer uma nova ferramenta complementar às já existentes, como o controle químico e o manejo ambiental, que têm se mostrado insuficientes diante da persistência e expansão das arboviroses. A expectativa é que, com a consolidação do programa, haja uma diminuição significativa nos casos de dengue e outras doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, aliviando a pressão sobre o sistema de saúde e melhorando a qualidade de vida dos brasilienses.
A soltura dos mosquitos com Wolbachia faz parte de um projeto de controle biológico que já vem sendo pesquisado e implementado em outras partes do mundo, com resultados promissores. Em cidades como Melbourne, na Austrália, e Yogyakarta, na Indonésia, a liberação desses mosquitos demonstrou uma redução expressiva na população do Aedes aegypti e, consequentemente, menos casos de dengue. O Brasil, com a elevada incidência dessas doenças, viu na tecnologia da Wolbachia uma potencial solução para um problema de saúde pública crônico. O Distrito Federal foi escolhido para essa fase de maior escala devido à sua capacidade logística e ao interesse em testar a eficácia da metodologia em um ambiente urbano grande e diverso, o que permitirá coletar dados valiosos para futuras expansões do programa para outras cidades do país.
O processo de criação e soltura dos mosquitos é rigorosamente controlado. Os ovos contendo a Wolbachia são incubados em laboratório, onde se desenvolvem até a fase adulta. Em seguida, os machos são separados das fêmeas e preparados para a soltura. A liberação é realizada em pontos estratégicos, cobrindo áreas com alta incidência de casos de dengue e alta densidade populacional do Aedes aegypti. A participação da comunidade é fundamental para o sucesso da iniciativa, sendo importante que a população colabore com as ações de prevenção, como a eliminação de focos de água parada, e que se informe sobre o projeto para desmistificar eventuais receios em relação aos mosquitos liberados. A transparência na comunicação e a educação ambiental são pilares para garantir a aceitação e o engajamento da sociedade.
A disseminação da Wolbachia no DF tem o potencial de mudar o cenário da dengue na região. Com a diminuição da população de mosquitos transmissores, espera-se uma queda na incidência de casos graves e de óbitos, além de uma redução na sobrecarga dos hospitais e postos de saúde, especialmente durante os períodos de maior incidência da doença. O sucesso deste projeto pode servir de modelo para o país, inspirando a implementação de soluções inovadoras e sustentáveis na luta contra as arboviroses, que representam um desafio constante para a saúde pública brasileira e global, exigindo abordagens multi e interdisciplinares para sua contenção efetiva.