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Cubanos enfrentam apagões severos em Havana em meio à crise energética

A capital cubana, Havana, testemunha um cotidiano cada vez mais desafiador para seus habitantes, dominado por apagões frequentes e prolongados. A população relata que a atual crise energética representa o “pior momento que já vivemos”, com a falta de combustíveis impactando diretamente a vida nas cidades e no campo. A escassez de energia não é um fenômeno novo em Cuba, mas a intensidade e a duração dos cortes atuais têm gerado um descontentamento generalizado e intensificado as dificuldades diárias enfrentadas pelos cubanos, desde a conservação de alimentos até a manutenção de atividades básicas. Essa situação se insere em um contexto de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos, que historicamente afetam o acesso de Cuba a recursos essenciais, incluindo o petróleo.

Organizações humanitárias e entidades internacionais têm manifestado preocupação com a crescente crise energética na ilha. Mais de 40 organizações humanitárias enviaram um apelo ao Congresso dos Estados Unidos, solicitando que pressionem o governo a considerar uma “exceção humanitária” para o envio de petróleo a Cuba. O objetivo é mitigar o sofrimento da população e garantir o acesso a serviços essenciais, como saúde e saneamento, que dependem de um fornecimento de energia estável. A atuação de órgãos como a ONU, que também pede medidas para amenizar a situação, reforça o debate sobre o impacto das políticas externas e das sanções na vida civil de um país.

Em resposta à pressão e em meio a negociações, o governo dos Estados Unidos, sob a administração Trump, chegou a suavizar em parte o veto petrolífero imposto a Cuba. No entanto, essa flexibilização veio acompanhada de exigências por “mudanças drásticas” na política interna da ilha. Essa condição sugere que a concessão de alívio econômico ou acesso a recursos vitais está atrelada a transformações políticas, evidenciando a complexa relação diplomática e as estratégias de influência entre os dois países, um tema recorrente na política externa dos EUA em relação a Cuba.

A estratégia americana de condicionar o acesso a combustíveis a mudanças políticas internas levanta discussões sobre a soberania cubana e a eficácia de tais medidas como ferramentas de pressão. Relatos indicam uma intenção dos EUA de tornar Cuba dependente de combustível americano para, assim, forçar reformas no governo da ilha. Essa dependência, se concretizada, poderia conferir aos Estados Unidos um poder de barganha significativo, moldando o cenário político e econômico cubano de acordo com seus interesses, mas também gerando um debate ético sobre a intervenção em assuntos internos de outros países e o impacto humanitário dessas políticas.