Cuba: Milei e Trump em rota de colisão com Díaz-Canel em Havana
Miguel Díaz-Canel, o atual presidente de Cuba, tem se posicionado firmemente contra o que ele chama de imperialismo, especialmente em resposta às ações e retóricas recentes de figuras políticas internacionais como Donald Trump e, mais recentemente, Javier Milei. Em um ato público em Havana, que reuniu milhares de cubanos, o líder expressou a determinação do país em defender sua soberania e seu modelo socialista, mesmo diante de pressões econômicas e políticas externas. A manifestação, marcada por tochas e bandeiras, evidenciou a unidade e a resistência do povo cubano diante do que é percebido como ameaças externas ao seu regime e modo de vida. A utilização de tochas, em particular, remete a um simbolismo histórico de luta e iluminação, ressaltando a narrativa de um povo que busca seu próprio caminho, livre de interferências estrangeiras. A mobilização popular em Havana contra o que é visto como um cerco promovido pelos Estados Unidos, ecoando discursos de outrora, reitera a importância da resistência cubana no cenário geopolítico atual.
A situação econômica de Cuba tem sido particularmente sensível, com relatórios indicando a possibilidade de escassez de petróleo em um futuro próximo. Essa vulnerabilidade, exacerbada pelas sanções e pelo endurecimento das políticas dos EUA sob a administração Trump, tem sido um dos pontos centrais da preocupação do governo cubano. A dependência de importações de petróleo, majoritariamente deVenezuela em tempos recentes, torna o país suscetível a choques externos. A administração atual de Donald Trump demonstrou um compromisso contínuo com o endurecimento das sanções, com o objetivo declarado de pressionar por uma mudança de regime; essa política, continuada com fervor, exacerba as dificuldades econômicas enfrentadas pela ilha. A perspectiva de uma crise energética imediata adiciona uma camada de urgência às discussões sobre a sustentabilidade econômica e a resiliência do país caribenho, forçando o governo a buscar alternativas e a fortalecer as parcerias estratégicas que possam mitigar os impactos dessas pressões.
As declarações e ações de Donald Trump em relação a Cuba durante sua presidência foram marcadas por um retrocesso nas relações, desfazendo parte do processo de normalização iniciado por Barack Obama. O desmantelamento de acordos e a imposição de novas restrições visavam isolar ainda mais o governo cubano e pressioná-lo a reformas mais profundas. Essa abordagem, que sugere uma expectativa de queda do regime, reflete uma visão mais confrontacional da política externa dos EUA para a região. Com a ascensão de Javier Milei na Argentina, que também tem expressado posições críticas ao socialismo e alinhado a políticas conservadoras, a pressão sobre Cuba pode se intensificar a partir de outro flanco na América do Sul, criando um ambiente regional mais desafiador para o governo de Díaz-Canel. A aproximação e o apoio mútuo entre líderes com visões semelhantes sobre a economia e a política externa, como Trump e Milei, criam um cenário complexo para Cuba e seus aliados.
A marcha das tochas em Havana não é apenas um protesto; é um ato de reafirmação da identidade cubana e de sua trajetória política. Em um contexto de incerteza econômica e pressões internacionais, esses eventos servem para consolidar o apoio interno ao governo e para projetar uma imagem de unidade e determinação para o exterior. A narrativa de resistência contra o imperialismo, promovida pelo governo cubano, encontra eco em setores da sociedade que valorizam a independência nacional e os princípios socialistas. A forma como Cuba gerenciará as crises econômicas e as pressões políticas nos próximos meses será crucial para determinar seu futuro. A capacidade de mobilização social e a resiliência demonstrada em eventos como a Marcha das Tochas são indicativos da força da sociedade civil cubana em apoiar seu projeto político, apesar das adversidades.