China e Índia Fortalecem Laços em Cúpula Bilateral Pós-Trump, Buscando Influência Global
A diplomacia entre China e Índia tem ganhado contornos cada vez mais estratégicos, especialmente após a ascensão de Donald Trump à presidência dos Estados Unidos. A percepção de um discurso protecionista e de uma política externa mais isolacionista por parte dos EUA incentivou potências emergentes, como os membros do BRICS, a buscarem maior colaboração e a definirem seus próprios papéis no tabuleiro global. A China, sob a liderança de Xi Jinping, tem se posicionado como uma defensora do livre comércio e da globalização, ao mesmo tempo em que busca consolidar sua influência regional e internacional, muitas vezes em contraponto à hegemonia americana.
Nesse contexto, a reunião entre Xi Jinping e Narendra Modi não apenas reforçou os laços bilaterais, mas também enviou uma mensagem clara sobre a crescente capacidade desses países de moldar agendas globais de forma independente. A promessa de cooperação no cenário internacional sugere um interesse mútuo em áreas como segurança, economia e desenvolvimento tecnológico, onde podem existir divergências e oportunidades de alinhamento com o Ocidente. Ampliar a atuação conjunta em fóruns multilaterais e propor novas abordagens para desafios globais podem ser estratégias para aumentar o peso político desses países.
A participação de ambos os líderes em cúpulas que também envolvem figuras como Vladimir Putin da Rússia, destaca a formação de blocos que, embora não formalmente alinhados a uma aliança militar ou política exclusiva, demonstram uma vontade compartilhada de construir uma ordem mundial multipolar. Essa multipolaridade visa reduzir a dependência de instituições e normas dominadas por potências ocidentais, promovendo uma visão mais diversa e equitativa das relações internacionais. A busca por uma “ordem mundial liderada pelos EUA” desafiada por essas novas dinâmicas exige cautela e análise por parte dos estrategistas americanos.
Embora as relações entre China e Índia possuam seus próprios desafios e rivalidades históricas, a convergência de interesses em momentos-chave, como o pós-Trump, pode levar a uma maior coordenação em questões estratégicas. A capacidade de demonstração de poder e a assertividade em suas políticas externas, impulsionadas por acordos bilaterais e multilaterais, são observadas com atenção por outros atores globais. A visita de Modi à China e a cúpula de segurança com Putin são indicativos proeminentes dessa tentativa de redefinir as bases da governança global.