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Atleta da Etiópia Vence a Corrida de São Silvestre; Brasileiro Conquista Pódio e Apela por Apoio ao Esporte

A centésima edição da Corrida Internacional de São Silvestre foi palco de uma emocionante disputa, que consagrou o etíope Selemon Barega como o grande campeão. A prova, realizada na manhã desta segunda-feira em São Paulo, viu Barega ultrapassar o queniano Daniel Mateiko nos segundos finais, em uma demonstração de força e estratégia. A vitória do atleta africano marca a continuidade do domínio estrangeiro na tradicional corrida, que tem como último vencedor brasileiro Marilson dos Santos em 2010. A emoção não ficou restrita ao topo do pódio, com o brasileiro Ibrahim Amilcar conquistando um expressivo terceiro lugar, o que gerou grande festa entre os torcedores que acompanharam a prova pelas ruas da capital paulista. Amilcar dedicou sua conquista a todos os atletas brasileiros que lutam diariamente por melhores condições de treinamento e apoio.

O percurso da São Silvestre, conhecido por sua exigência técnica e variação de altimetria, testou os limites dos corredores. Barega, em sua primeira participação na prova, demonstrou grande preparo físico e tático ao gerenciar o ritmo durante os 15 quilômetros. A ultrapassagem no trecho final, em plena Avenida Paulista, se tornou o ápice da corrida, selando seu triunfo. O queniano Mateiko, que liderou boa parte da prova, lamentou a perda da ponta nos metros decisivos, mas celebrou a segunda colocação. A disputa acirrada entre os líderes serviu de pano de fundo para a performance inspiradora de Amilcar, que se tornou a esperança brasileira em um pódio cada vez mais competitivo ocupado por atletas africanos.

O terceiro lugar de Ibrahim Amilcar ecoou para além da conquista pessoal. Em entrevista após a prova, o brasileiro destacou a dificuldade de competir em alto nível com a infraestrutura e o suporte oferecidos aos atletas em seu país. “Todos merecem um local adequado para treinar, com equipamentos de qualidade e acompanhamento profissional”, declarou Amilcar, fazendo um apelo direto aos governantes e à iniciativa privada por mais investimentos no atletismo brasileiro. Ele ressaltou que muitos talentos podem ser perdidos devido à falta de oportunidades e apoio, em um cenário onde a dedicação e o esforço individual muitas vezes não são suficientes para suprir as carências estruturais.

A São Silvestre, que em sua centésima edição celebrou a história e a paixão pelo esporte, também serve como um importante termômetro para o atletismo de longa distância no Brasil. O jejum de vitórias brasileiras na prova principal é um reflexo de desafios mais amplos que o esporte enfrenta no país, desde a base até o alto rendimento. A conquista de Amilcar, apesar de não ser o primeiro lugar, carrega o simbolismo da perseverança e da luta por reconhecimento, servindo como inspiração para uma nova geração de corredores que sonham em ver o Brasil no topo do pódio em competições internacionais.