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Anvisa aprova lecanemabe, novo remédio para Alzheimer que desacelera progressão da doença

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta terça-feira (12) o lecanemabe, um novo medicamento para o tratamento da doença de Alzheimer. O fármaco, um anticorpo monoclonal, demonstrou em estudos clínicos a capacidade de desacelerar a progressão da doença em seus estágios iniciais. A aprovação representa um marco significativo na luta contra essa condição neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, trazendo uma nova perspectiva terapêutica para pacientes em fase inicial da doença e, consequentemente, para suas famílias e cuidadores. O lecanemabe age removendo as placas de proteína beta-amiloide que se acumulam no cérebro, um dos principais fatores associados ao desenvolvimento e à progressão do Alzheimer. Essa ação farmacológica visa restaurar, em certa medida, a função sináptica e proteger os neurônios contra a degeneração, que são mecanismos centrais na patogênese da doença. A abordagem de atacar diretamente os agregados amiloides marca um passo adiante em relação a tratamentos anteriores, que focavam mais no manejo dos sintomas. As pesquisas e os ensaios clínicos que levaram à aprovação do lecanemabe foram extensos e detalhados. Os resultados de um estudo de Fase 3, publicado no prestigiado New England Journal of Medicine, indicaram que o medicamento reduziu a taxa de declínio cognitivo e funcional em 27% em pessoas com Alzheimer em estágio inicial, ao longo de 18 meses de tratamento, em comparação com placebo. Essa desaceleração, embora não represente uma cura, é vista como um avanço importante, pois permite que os pacientes mantenham sua independência e qualidade de vida por mais tempo. No entanto, é crucial entender que o lecanemabe não reverte os danos cerebrais já estabelecidos nem elimina completamente a doença. O tratamento é mais eficaz quando iniciado em fases precoces, antes que os danos neuronais se tornem extensos. Além disso, o medicamento apresenta riscos potenciais, como a ocorrência de edema cerebral e micro-hemorragias, que precisam ser monitorados de perto pela equipe médica. A disponibilidade do lecanemabe no Brasil, após sua aprovação pela Anvisa, alinha o país com outros mercados que já liberaram o tratamento, como Estados Unidos e Japão. A discussão sobre seu acesso e incorporação ao sistema público de saúde, bem como seu custo, que tende a ser elevado, serão pautas importantes nos próximos meses, visando garantir que o medicamento possa beneficiar o maior número possível de pacientes que se enquadram nos critérios de indicação para a terapia. A pesquisa em torno do Alzheimer continua avançando em diversas frentes, e a aprovação deste novo tratamento é um reflexo desse progresso contínuo em busca de terapias mais eficazes e, quem sabe um dia, de uma cura definitiva.