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Análise: A complexa teia geopolítica que mantém o chavismo no poder apesar da pressão americana e de sanções internacionais

A persistência do chavismo no poder na Venezuela, mesmo sob forte sanções americanas e após a captura de figuras proeminentes, é um fenômeno multifacetado. Inicialmente, a força militar e a lealdade de setores cruciais das Forças Armadas Bolivarianas (FANB) têm sido um pilar fundamental para a sustentação do regime. O governo tem investido em manter a fidelidade desses setores através de privilégios, promoções e aprofundamento do controle ideológico, garantindo uma base de apoio sólida para a manutenção da ordem interna e a dissuasão de potenciais golpes de estado ou insurreições populares. A captura de Nicolás Maduro, embora anunciada em alguns cenários hipotéticos, nunca se concretizou, evidenciando a capacidade do governo em antecipar e neutralizar ameaças diretas tanto internas quanto externas. O plano de três etapas anunciado pelo governo Trump, por exemplo, focava em uma transição democrática, mas a resistência interna e a falta de consenso sobre alternativas viáveis dentro da oposição venezuelana criaram um vácuo que o chavismo soube explorar. A falta de uma frente opositora unificada e com um projeto claro para o futuro do país tem sido um obstáculo significativo para o avanço de qualquer mudança política.

Além das dinâmicas internas, o apoio externo de potências como a Rússia e a China desempenha um papel vital na manutenção do regime chavista. Essas nações veem a Venezuela como um parceiro estratégico importante, tanto em termos geopolíticos quanto econômicos, especialmente no setor energético. A China, em particular, tem sido uma credora significativa da Venezuela e se beneficia do redirecionamento de petróleo, mesmo sob sanções americanas. A condenação chinesa ao redirecionamento do petróleo venezuelano para os EUA, como noticiado, reflete essa postura e demonstra a complexidade das relações internacionais em torno da crise venezuelana. O apoio russo, por sua vez, se manifesta em termos de ajuda militar e diplomática, consolidando a capacidade de defesa do regime.

Diferentes abordagens de intervenção americana também influenciaram o cenário. Enquanto a administração Trump focou em sanções e pressão econômica, buscando isolar o regime e estimular uma transição, outras administrações poderiam ter optado por estratégias distintas. A intervenção americana, em sua concepção, muitas vezes visava uma mudança de regime, mas o resultado de manter o chavismo no poder sugere que as táticas empregadas podem ter sido insuficientes ou mal direcionadas em relação aos objetivos propostos. A complexa teia de interesses econômicos e geopolíticos que envolvem a Venezuela, atraindo a atenção de diversas potências mundiais, cria um ambiente onde a remoção abrupta de um regime pode gerar instabilidade regional e global, o que não é do interesse de todos os atores envolvidos.

Como resultado, a Venezuela se encontra em um impasse prolongado, onde a pressão externa e as sanções, embora causem sofrimento à população, não foram suficientes para derrubar o governo. A capacidade do chavismo em se adaptar, resistir e aliar-se a potências internacionais, combinado com as fragilidades da oposição interna, cria um cenário onde a sua permanência no poder é, paradoxalmente, amparada por uma complexa interação de forças internas e externas, que tornam tênue a linha entre a intervenção e a consolidação do regime.