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Agonorexia: o novo distúrbio alimentar relacionado ao uso de canetas emagrecedoras

A agonorexia surge como um fenômeno emergente no cenário da saúde e bem-estar, intimamente ligado ao uso de medicamentos injetáveis para o controle do peso, popularmente conhecidos como “canetas emagrecedoras”. Esses fármacos, que atuam mimetizando hormônios intestinais como o GLP-1, têm se mostrado eficazes na redução da fome e na promoção da saciedade, levando a uma perda de peso significativa para muitos usuários. No entanto, essa ação poderosa no sistema de recompensa cerebral e na regulação do apetite pode ultrapassar o limite do saudável, desencadeando um comportamento alimentar restritivo extremo e preocupante para alguns indivíduos.

O mecanismo por trás da agonorexia reside na desordem da relação do indivíduo com a comida. Ao inibir drasticamente a fome, esses medicamentos podem levar à perda do prazer em comer e até mesmo à aversão a determinados alimentos. Em vez de uma reeducação alimentar gradual e sustentável, o que se observa em casos de agonorexia é uma supressão quase total do desejo de se alimentar. Isso levanta sérias preocupações sobre a ingestão nutricional adequada, o desenvolvimento de deficiências de vitaminas e minerais, e o impacto a longo prazo no metabolismo e na saúde geral do indivíduo.

A neurociência tem um papel crucial na compreensão desse fenômeno. Os medicamentos agem em áreas do cérebro responsáveis pela fome, saciedade e pelo sistema de recompensa, modificando a percepção de fome e a motivação para comer. Essa intervenção direta nos circuitos neurais que regulam o apetite pode, em alguns casos, levar a uma desconexão entre as necessidades fisiológicas do corpo e o comportamento alimentar, resultando em um estado onde a comida deixa de ser uma fonte de prazer e se torna uma obrigação ou até mesmo algo a ser evitado ao máximo.

É fundamental que tanto profissionais de saúde quanto pacientes estejam cientes dos potenciais riscos associados ao uso indiscriminado dessas substâncias. A agonorexia não é apenas uma perda de apetite, mas um distúrbio alimentar que requer atenção clínica e psicológica. A busca por perda de peso deve ser sempre pautada em acompanhamento médico especializado, que contemple uma abordagem multidisciplinar, incluindo nutrição, atividade física e suporte psicológico, para garantir que os resultados alcançados sejam saudáveis e sustentáveis, evitando o surgimento de novos transtornos.