Agonorexia, o Efeito Colateral das Canetas Emagrecedoras: Entenda os Riscos e a Necessidade Nutricional
A busca por um corpo perfeito e a rápida perda de peso impulsionaram o uso de medicamentos como Ozempic e Wegovy, inicialmente indicados para o tratamento da diabetes tipo 2 e obesidade. No entanto, um novo fenômeno tem emergido, batizado de agonorexia, que descreve a obsessão pela magreza a ponto de negligenciar a ingestão de nutrientes essenciais, levando a um estado de deficiência nutricional. Essa ânsia por emagrecer, exacerbada pelos efeitos potentes dessas canetas, pode mascarar problemas mais profundos de saúde, onde o foco na balança se sobrepõe à necessidade vital de vitaminas, minerais e proteínas, criando um ciclo vicioso de restrição e carências. A comunidade médica tem alertado que, apesar da eficácia em promover a perda de peso, o uso indiscriminado e sem acompanhamento profissional dessas substâncias pode acarretar uma série de riscos à saúde. A agonorexia se configura como um alerta severo de que o emagrecimento a qualquer custo pode ter um preço alto demais para o organismo. A deficiência de nutrientes pode impactar o sistema imunológico, a saúde óssea, a função cognitiva e o bem-estar geral, além de agravar distúrbios alimentares preexistentes ou até mesmo deflagrá-los em indivíduos vulneráveis, transformando uma ferramenta terapêutica em um potencial gatilho para transtornos de saúde mental e física. É fundamental que o uso dessas canetas emagrecedoras seja estritamente regulado e acompanhado por equipes multidisciplinares, incluindo médicos endocrinologistas, nutricionistas e psicólogos. A prescrição deve ser baseada em critérios clínicos bem definidos, considerando o histórico de saúde do paciente, a presença de comorbidades e a avaliação de sua saúde mental. O objetivo principal deve ser a promoção da saúde integral e não apenas a estética, desmistificando a ideia de que a magreza extrema é sinônimo de saúde ou sucesso social, e combatendo a pressão social que muitas vezes leva a escolhas prejudiciais à saúde. Nesse contexto, a conscientização sobre a agonorexia e os riscos associados ao uso não supervisionado de medicamentos para emagrecimento torna-se uma ferramenta crucial. Campanhas educativas e discussões abertas sobre transtornos alimentares, autoimagem e a importância da nutrição balanceada são essenciais para desmistificar esses tratamentos e incentivar práticas saudáveis. A medicina avança com novas opções terapêuticas, mas a sabedoria em utilizá-las de forma responsável e ética, priorizando o bem-estar do paciente acima de tudo, é o que realmente define um avanço significativo na saúde pública brasileira e global.