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Adilsinho: De Craque do Bicho a Mecenas do Salgueiro, a Saga do Capo Sanguinário do Jogo do Bicho

A imagem de Adilsinho, figura proeminente na contravenção carioca e recentemente capturado em uma operação de grande repercussão, evoca uma história multifacetada que transcende a mera criminalidade. Sua trajetória ascende ao notório mundo do jogo do bicho, onde se consolidou como um dos chefes mais influentes e temidos, ganhando a alcunha de “o mais sanguinário dos capos”, segundo a Polícia Federal. Essa designação não surge do nada, mas é fruto de uma reputação construída sobre a violência e o controle territorial em um mercado ilegal de alto valor. A operação que culminou em sua prisão, realizada no Rio de Janeiro, evidencia a persistência do Estado em desmantelar as estruturas do crime organizado. A rápida transferência para um presídio federal, ocorrida um dia após sua detenção, sublinha a gravidade de suas ações e a necessidade de isolá-lo de sua rede de influência. Essa movimentação estratégica visa impedir a continuidade de suas operações e a coordenação de atividades ilícitas de dentro do sistema prisional, demonstrando a preocupação das autoridades com o poder exercido por figuras como Adilsinho. Mas a narrativa de Adilsinho não se limita aos assombros do crime. Curiosamente, sua história se entrelaça de forma significativa com o universo do futebol e a cultura popular, especialmente através de seu papel como patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Essa dualidade o posiciona em um espectro social complexo, onde a figura do criminoso se confunde com a do benfeitor cultural, patrono de uma das mais tradicionais agremiações carnavalescas do Rio. O financiamento de escolas de samba por figuras ligadas ao jogo do bicho é uma prática antiga e conhecida, que demonstra a capacidade desses grupos de lavar dinheiro e, ao mesmo tempo, obter prestígio social e influência dentro da sociedade. O envolvimento de Adilsinho com o Salgueiro, portanto, não é apenas um detalhe pitoresco, mas um reflexo da profunda inserção da contravenção em diversos estratos da vida carioca, incluindo a vibrante e simbólica cultura do carnaval, que movimenta milhões e emprega milhares de pessoas, criando um ecossistema onde o ilegal e o legítimo se misturam de maneira intrincada e, por vezes, desconcertante para o observador externo. A investigação sobre Adilsinho e sua rede de operações ilegais continua, prometendo lançar mais luz sobre as conexões entre o submundo do crime, o esporte e o espetáculo popular no Brasil.