Especialistas avaliam acordo Mercosul-UE com foco no agronegócio
Especialistas em comércio internacional e economia têm analisado com lupa os desdobramentos do recente acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. As opiniões convergem ao destacar o agronegócio como o grande vencedor dessa negociação. Produtos agrícolas brasileiros, como a uva, que já têm o seu mercado aquecido, tendem a se beneficiar ainda mais com a redução ou eliminação de tarifas de exportação, impulsionando o setor e gerando otimismo em associações como a Abrafrutas. Essa valorização do setor agropecuário brasileiro é um reflexo da competitividade que o país possui em diversas cadeias produtivas, desde a produção de grãos até frutas e carnes. O acesso facilitado ao mercado europeu, um dos mais exigentes e com alto poder aquisitivo do mundo, pode significar um aumento expressivo no volume de exportações e, consequentemente, na geração de empregos e renda no Brasil. Outro setor que emerge como beneficiado é a indústria. Embora o agronegócio receba a maior atenção, a indústria brasileira também pode encontrar novas oportunidades no mercado europeu, especialmente em segmentos que tradicionalmente possuem gargalos logísticos ou barreiras tarifárias. A expectativa é que a redução de impostos e a simplificação de processos aduaneiros criem um ambiente mais favorável para que produtos industriais brasileiros ganhem espaço na Europa. A análise deste acordo também se insere em um contexto geopolítico mais amplo. Enquanto alguns analistas observam com desconfiança a aproximação com a Europa, especialmente em contrapartida ao BRICS, o cenário aponta para uma reconfiguração estratégica nas relações comerciais globais. A questão é se essa nova dinâmica se alinhará com os interesses internos e externos de países como os Estados Unidos, sob a liderança de Donald Trump, que já demonstrou um posicionamento ambíguo em relação a acordos comerciais multilaterais. A celebração do acordo não é unânime, e manifestações como o acampamento de agricultores franceses em um porto evidenciam as tensões e os desafios que ainda persistem. A preocupação com a concorrência de produtos sul-americanos, com custos de produção potencialmente menores, levanta debates sobre subsídios, padrões sanitários e ambientais, e a necessidade de garantir condições de igualdade para todos os produtores envolvidos. O acordo Mercosul-UE representa, portanto, um passo significativo, mas a consolidação de seus benefícios dependerá de uma gestão cuidadosa e de negociações contínuas.