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Ex-Secretária do INSS Admite Acesso a Cofre, Mas Nega Pagamento de Propinas em CPMI

A ex-secretária de um influente lobista do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), apelidado de Careca do INSS, prestou depoimento nesta quarta-feira à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga supostas irregularidades na gestão e pagamentos do órgão. Durante a sessão, a testemunha confirmou ter tido acesso ao cofre de seu ex-chefe, um ponto crucial nas investigações que visam desvendar uma rede de corrupção. No entanto, a secretária sustentou enfaticamente que desconhecia a natureza dos valores ali guardados e negou terminantemente ter sido o canal para o pagamento de propinas ou qualquer tipo de transação financeira ilícita, incluindo um negócio envolvendo a compra de uma casa de uma marqueteira ligada ao PT.

As declarações da ex-secretária surgem em meio a uma série de depoimentos e conduções coercitivas que têm marcado a CPI do INSS. A comissão busca esclarecer denúncias de favorecimento em liberações de pagamentos e contratos, que poderiam envolver valores significativos e influências políticas. A admissão de acesso ao cofre levanta a hipótese de que documentos ou provas relevantes poderiam ter passado pelas mãos da secretária, mesmo que, segundo ela, sem seu conhecimento sobre a finalidade ilícita. Esse depoimento, aliás, foi remarcado devido a dificuldades logísticas, como a não localização de outro investigado, um advogado suspeito de irregularidades, pela Polícia do Senado, o que gerou atrasos e novas remarcações.

O contexto das investigações remonta a um período de intensas atividades do lobista em questão, que estaria atuando para intermediar pagamentos e facilitar o acesso a informações privilegiadas dentro do INSS. A menção a um negócio específico, a compra de uma casa de uma marqueteira do PT, adiciona uma camada de complexidade às apurações, sugerindo possíveis conexões entre o setor privado, figuras políticas e a administração pública. A CPI tenta mapear o fluxo financeiro e as relações estabelecidas para determinar a extensão das irregularidades e identificar todos os envolvidos.

Apesar de sua posição de negar conhecimento sobre ações ilícitas, o depoimento da ex-secretária é considerado relevante pela CPI. As verdades que ela detém, ainda que parciais, podem fornecer pistas importantes para os investigadores, como a identificação de outras testemunhas, a localização de documentos ou a confirmação de rotinas que permitiam as supostas fraudes. A dinâmica da CPI, marcada por incertezas e reviravoltas, continua nesta quinta-feira, com a expectativa de novas revelações que possam lançar luz sobre os escândalos que assombram o INSS.