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Argentina aprova reforma trabalhista de Milei com jornada de 12 horas

O Senado argentino deu aval à reforma trabalhista impulsionada pelo presidente Javier Milei, uma das medidas centrais de seu plano de desregulamentação econômica. A legislação, que ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados, flexibiliza diversas normas trabalhistas, sendo o ponto mais polêmico a permissão para jornadas diárias de até 12 horas, o que coloca a Argentina em uma posição de destaque regional quanto à extensão da jornada laboral. Essa mudança é vista por defensores como um estímulo à produtividade e à contratação, enquanto críticos temem a precarização do trabalho e a redução de direitos sociais conquistados ao longo de décadas, aprofundando a desigualdade em um país já marcado por instabilidade econômica.

A aprovação ocorreu em meio a uma greve geral convocada pelas centrais sindicais e movimentos sociais, que protestaram maciçamente contra os cortes e as reformas propostas pelo governo Milei. As manifestações evidenciam a forte polarização política e social que o país atravessa, com a população dividida entre o apoio às promessas de recuperação econômica e o receio de um retrocesso em direitos básicos. A greve geral, um dos maiores atos de resistência desde o início do mandato de Milei, paralisou setores importantes da economia e demonstrou a mobilização da oposição.

A nova legislação trabalhista argentina, caso aprovada em sua totalidade, busca modernizar as relações de trabalho, adaptando-as a um modelo mais liberal e competitivo no cenário internacional. A extensão da jornada de trabalho, apesar de controversa, é justificada pelo governo como um mecanismo para atrair investimentos e aumentar a eficiência produtiva. Outros pontos da reforma incluem alterações nas regras de rescisão contratual e a criação de modelos de contratação mais flexíveis, culminando em um debate acirrado sobre o futuro do mercado de trabalho no país sul-americano.

A Argentina se une a um grupo de países latino-americanos que já possuem jornadas de trabalho extensas, mas a aprovação dessa medida em um contexto de alta inflação e desigualdade social gera preocupações adicionais. Especialistas em direito do trabalho e economia apontam que a flexibilização sem garantias adequadas pode levar a uma maior exploração da mão de obra e a um aumento no número de trabalhadores informais, comprometendo a sustentabilidade social e o bem-estar da população. O desdobramento dessa reforma será crucial para entender o impacto real na economia argentina e na vida de seus cidadãos nas próximas décadas.