Morte de El Mencho: Sucessão no CJNG e o Risco de Expansão do PCC no Brasil
A notícia da possível morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, líder do poderoso Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG), tem gerado grande apreensão em âmbito internacional. A ausência de um líder proeminente nesse tipo de organização criminosa raramente leva a um vácuo de poder pacífico. Em vez disso, o cenário iminente é de disputa interna, com potenciais sucessores conhecidos, como o genro do líder, conhecido como El Chorro, despontando como favoritos em uma batalha que promete ser sangrenta. A instabilidade em um cartel de tamanha envergadura pode ter repercussões globais, especialmente em rotas de tráfico de drogas. A profissionalização e a ampla infraestrutura do CJNG, que o tornaram um dos cartéis mais poderosos do México, também o posicionam favoravelmente para manter suas operações mesmo sob nova liderança, embora o período de transição seja sempre um ponto de vulnerabilidade. O especialista ouvido pela BBC Mexico aponta que o PCC brasileiro, conhecido por sua organização e estratégias mais sofisticadas em comparação com muitos cartéis mexicanos tradicionais, poderia se beneficiar de uma eventual desestabilização do CJNG. Uma possível fragilidade do cartel mexicano em disputas territoriais ou logísticas poderia abrir portas para a expansão e consolidação do poder do PCC em novas rotas ou mercados, o que representa um risco significativo para a segurança pública no Brasil e em outros países da América Latina. A questão da sucessão no CJNG é complexa, com múltiplos atores e facções internas lutando por controle. Além do genro de El Mencho, outros nomes já foram especulados como prováveis sucessores, indicando um cenário de alta competitividade e potencial para violência interna. O histórico do CJNG é marcado pela brutalidade e pela rápida ascensão, demonstrando uma capacidade notável de adaptação e resiliência diante de pressões das autoridades. Portanto, a luta pelo poder após a queda de El Mencho não será apenas uma questão de liderança, mas também de controle territorial, financeiro e de influência dentro do próprio cartel e em suas redes de operação. O alerta emitido pelo jornal O TEMPO sobre o risco de o Brasil se “mexicanizar” é um chamado à reflexão sobre a crescente sofisticação do crime organizado em território nacional. A comparação com o México, que tem lidado com décadas de violência e instabilidade geradas por cartéis poderosos, serve como um aviso sobre as consequências de permitir que facções como o PCC continuem a se fortalecer e a expandir suas operações. A possível conjunção entre a instabilidade de um cartel mexicano de ponta e a consolidação de um poderoso grupo criminoso brasileiro acende um sinal vermelho para as autoridades, que precisam intensificar os esforços de inteligência e combate ao crime organizado em todas as suas vertentes e escalas.