PT mira Haddad para governo de SP com pressão de Lula e aliados
A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) tem em Fernando Haddad, atual Ministro da Fazenda, seu plano A para a sucessão do governo do estado de São Paulo. A estratégia tem o aval e a participação ativa do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estaria empenhado em convencer Haddad a deixar à frente da pasta econômica para se dedicar à disputa eleitoral em um dos estados mais importantes do Brasil. A movimentação reflete a busca do partido em consolidar uma liderança forte capaz de enfrentar os adversários e retomar a hegemonia política em São Paulo, um desafio histórico para a sigla.
A articulação não é unilateral e as pressões são evidentes. Relatos indicam que diversos aliados, incluindo figuras proeminentes do partido e do governo, têm abordado Haddad, seja para reforçar a necessidade de sua candidatura, seja para expressar preocupações e divergências sobre a conveniência de sua saída do Ministério da Fazenda. A Fazenda é considerada um ministério chave para a estabilização econômica do país, e a saída de Haddad, em um momento crucial, pode gerar instabilidade ou questionamentos sobre a capacidade de o governo manter o rumo traçado. Por outro lado, o argumento é que Haddad, com sua visibilidade e histórico político, teria mais chances de ser eleito governador de São Paulo, consolidando o PT no poder.
As divergências internas no PT e entre seus aliados sobre a candidatura de Haddad àgovernadoria paulista são notórias. Enquanto alguns, como a reportagem do O Globo aponta, veem a eleição de Haddad como a prioridade, outros, como o Gazeta do Povo e gauchazh.clicrbs.com.br relatam, manifestam preocupação com a possibilidade de o partido cometer um erro estratégico ao sacrificar sua posição no governo federal. A análise é que a permanência de Haddad na Fazenda poderia render mais frutos para o PT e para o governo Lula em termos de consolidação econômica e credibilidade, do que uma campanha eleitoral em São Paulo, que é notoriamente competitiva e imprevisível.
O debate sobre a candidatura de Haddad em São Paulo também envolve a avaliação de possíveis danos colaterais. A saída do ministro da Fazenda abiria espaço para um sucessor, o que poderia gerar incertezas sobre a continuidade das políticas econômicas. Além disso, especulações sobre quem seria o substituto, e se essa pessoa teria a mesma capacidade de articulação e negociação que Haddad, adicionam complexidade ao cenário. Por outro lado, a consolidação de Haddad como potencial candidato a governador pode fortalecer o PT em São Paulo, servindo como um polo aglutinador de forças políticas e sociais alinhadas ao governo federal, o que, em tese, poderia beneficiar a governabilidade em nível nacional.