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Uso de Melatonina em Crianças: Tendência Crescente com Riscos Não Elucidados

A melatonina, conhecida por regular o ciclo sono-vigília, tem ganhado destaque como uma solução para distúrbios do sono em crianças. Essa popularidade crescente, impulsionada por relatos de pais e pela facilidade de acesso a suplementos, levanta preocupações significativas entre a comunidade médica e científica. A ausência de regulamentação rigorosa no Brasil para suplementos de melatonina agrava o cenário, permitindo a comercialização de produtos com doses variadas e, por vezes, sem a devida comprovação de pureza e segurança. A dosagem inadequada pode agravar problemas existentes ou introduzir novos, especialmente em organismos em desenvolvimento. É crucial entender que a melatonina não é uma vitamina ou um nutriente essencial, mas sim um hormônio com funções complexas no corpo humano. Seu uso indiscriminado em crianças pode interferir em processos biológicos sensíveis, como o desenvolvimento neurológico e o amadurecimento do sistema endócrino. Estudos preliminares, inclusive, têm sinalizado potenciais riscos cardiovasculares associados ao uso contínuo de melatonina, embora pesquisas mais aprofundadas sejam necessárias para confirmar essas associações e elucidar os mecanismos por trás delas. A automedicação com melatonina em crianças pode mascarar problemas subjacentes que requerem diagnóstico e tratamento médico específico. Distúrbios do sono em pediatria frequentemente estão ligados a fatores como ansiedade, TDAH, apneia do sono, ou mesmo a rotinas inadequadas de sono e higiene digital. Ignorar essas causas primárias e focar apenas no sintoma, que é a dificuldade em dormir, pode retardar a intervenção mais eficaz e levar a um quadro clínico mais complexo no futuro. Portanto, a consulta com um pediatra ou especialista em sono infantil é fundamental antes de considerar qualquer suplementação. Diante desse panorama, a recomendação para pais e cuidadores é clara: cautela e informação baseada em evidências são essenciais. A busca por alternativas não farmacológicas e a investigação das causas reais dos distúrbios do sono em crianças devem ser a prioridade. A melatonina, quando utilizada, deve ser sob estrita supervisão médica, com acompanhamento regular para monitorar a eficácia e, principalmente, a segurança em longo prazo, especialmente considerando os potenciais impactos no sistema cardiovascular e no desenvolvimento infantil.