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Hanseníase no Brasil um Desafio Persistente e a Importância da Atenção Primária à Saúde

A hanseníase, também conhecida como lepra, continua sendo uma importante questão de saúde pública no Brasil, embora os esforços de prevenção e tratamento tenham levado a uma redução significativa em sua incidência ao longo dos anos. Dados recentes da Sociedade Brasileira de Dermatologia revelam que o país registrou aproximadamente 275 mil casos em um período de dez anos, o que demonstra a persistência da doença e a necessidade de vigilância contínua. A hanseníase é uma doença infecciosa crônica causada pela bactéria Mycobacterium leprae, que afeta principalmente a pele, os nervos periféricos, os olhos e as mucosas dos tratos respiratório superior. Sua transmissão ocorre por meio de gotículas nasais e orais expelidas durante tosse ou espirro de indivíduos doentes com hanseníase que não estão em tratamento. O diagnóstico precoce é fundamental para evitar a incapacidade física e a transmissão comunitária, o que torna a atuação da Estratégia Saúde da Família (ESF) de suma importância. A ESF, com sua abordagem comunitária e familiar, está mais próxima da população, facilitando a identificação de sinais e sintomas iniciais da doença, além de garantir o acompanhamento contínuo dos pacientes em tratamento, um processo que exige disciplina e suporte de longo prazo. A conscientização pública é uma ferramenta poderosa no combate à hanseníase. Campanhas informativas, como a que levou à iluminação de edifícios emblemáticos como o Congresso Nacional, visam educar a população sobre os primeiros sinais da doença, que podem incluir manchas na pele com alteração de sensibilidade, dores e inchaço nos nervos, e a importância de procurar uma unidade de saúde. No contexto regional, dados como os do estado do Pará, que contabilizou 1.486 novos casos em 2025, com Belém somando 184, ressaltam a necessidade de estratégias de saúde adaptadas às realidades locais. Esses números indicam áreas específicas onde os esforços de prevenção, diagnóstico e tratamento precisam ser intensificados, considerando fatores epidemiológicos, socioeconômicos e o acesso aos serviços de saúde. Ações coordenadas entre órgãos governamentais, sociedades médicas e a comunidade são essenciais para avançar na erradicação da hanseníase e garantir que todos os brasileiros tenham acesso a um diagnóstico e tratamento adequados, livres de estigma e discriminação.