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Celso Amorim questiona a ordem global e defende multilateralismo em meio a tensões internacionais

O ex-chanceler Celso Amorim, figura proeminente na diplomacia brasileira, expressou recentemente uma profunda inquietação sobre o estado atual da ordem mundial, questionando a viabilidade de um cenário sem regras estabelecidas para as relações internacionais. Essa declaração surge em um contexto de crescentes tensões e desafios à soberania dos países, com o Brasil buscando reafirmar seu papel como ator independente e promotor de um sistema multilateral mais equitativo e cooperativo. A reflexão de Amorim toca em pontos cruciais da política externa e da segurança global, onde a ausência de um arcabouço normativo claro pode abrir espaço para a instabilidade e a imposição de vontades individuais sobre o coletivo. A posição brasileira, articulada por figuras como o ex-chanceler e o presidente Lula, tem se mostrado contrária a intervenções unilaterais e favorável ao fortalecimento de instituições internacionais. Isso se reflete em declarações que buscam um diálogo mais construtivo em temas como a Venezuela, defendendo soluções negociadas e o respeito à autodeterminação dos povos. A recente troca de artigos e manifestações entre o presidente Lula e o ex-presidente americano Donald Trump, e seus respectivos aliados, evidencia essa divergência de visões. Lula, em sua publicação no The New York Times, defendeu a coexistência pacífica e a soberania regional das Américas, em resposta a declarações de Trump. Essa disputa pública sublinha a importância da diplomacia textual e da articulação de narrativas no cenário internacional, onde cada país busca moldar a percepção de suas ações e de seus interesses. A defesa do multilateralismo, portanto, não é apenas uma questão de princípio, mas também uma estratégia para garantir a relevância e a autonomia do Brasil em um mundo cada vez mais complexo e interconectado, onde a ausência de normas claras pode levar a um enfraquecimento das nações menores perante as potências hegemônicas. As reações de assessores e aliados de Trump às declarações de Lula indicam que o debate sobre a ordem global está longe de um consenso. A defesa de ações americanas na Venezuela e as críticas à postura brasileira em relação a Maduro demonstram as diferentes interpretações sobre soberania, democracia e a intervenção em assuntos internos de outros países. O posicionamento do Brasil, alinhado a uma visão mais pluralista e independente, busca construir pontes e soluções diplomáticas, em contraste com abordagens que priorizam o confronto e a imposição de agendas. A busca por um mundo mais estável e previsível passa, necessariamente, pela discussão e pelo fortalecimento das regras que regem as interações entre os Estados, um caminho que o Brasil, sob a liderança de Lula e com vozes como a de Celso Amorim, pretende continuar trilhando.