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Vacina contra Herpes-Zóster tem incorporação ao SUS barrada por alto custo

O Ministério da Saúde anunciou a decisão de não incorporar a vacina contra herpes-zóster ao Sistema Único de Saúde (SUS), alegando o elevado custo da imunização. A justificativa apresentada pela pasta aponta que a inclusão da vacina demandaria um investimento de aproximadamente R$ 5,2 bilhões ao longo de cinco anos, um valor considerado inviável para o orçamento atual do sistema público de saúde. Essa decisão, embora baseada em premissas financeiras, gera um debate importante sobre a priorização de investimentos em saúde pública e o acesso a novas tecnologias de prevenção de doenças. A vacina contra herpes-zóster tem se mostrado eficaz na prevenção da doença e de suas complicações, como a neuralgia pós-herpética, uma condição dolorosa e de difícil tratamento que pode persistir por meses ou anos após o desaparecimento das lesões cutâneas. A doença é causada pelo vírus varicela-zóster (VVZ), o mesmo que provoca a catapora, e tende a ser mais comum em pessoas com mais de 50 anos e em imunocomprometidos, populações que já representam uma parcela significativa dos usuários do SUS. A não incorporação da vacina levanta questões sobre a equidade no acesso à saúde, uma vez que a imunização se torna uma opção restrita àqueles que podem arcar com os custos particulares, que são consideravelmente altos. Enquanto a vacina é amplamente utilizada em países como Estados Unidos e Canadá, no Brasil ela se torna inacessível para a maioria da população, a menos que haja uma mudança na política de saúde pública. A discussão sobre o custo-benefício da vacina vai além do valor monetário inicial, pois é preciso levar em conta os custos futuros associados ao tratamento das complicações da doença, que podem sobrecarregar ainda mais o sistema de saúde. A análise de impacto orçamentário deve considerar também a qualidade de vida dos pacientes, a redução de internações e a diminuição da demanda por serviços médicos especializados para o manejo da neuralgia pós-herpética. Especialistas em saúde pública e infectologia alertam que, a longo prazo, investir em prevenção pode ser mais econômico do que tratar as consequências de doenças evitáveis, especialmente em um país com as dimensões e as necessidades do Brasil. A decisão do Ministério da Saúde pode gerar um impacto na saúde da população idosa e de grupos de risco, que ficam desprotegidos contra uma doença que, embora não seja letal, pode causar sofrimento intenso e incapacidade.