Carregando agora

Sindicato Alerta: Nova Lei de Multimídia Prejudica Jornalistas e Radialistas

A recente sanção presidencial da lei que regulamenta o exercício da profissão de multimídia tem gerado forte repercussão entre os profissionais de comunicação. Sindicatos e federações da categoria, como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), têm manifestado descontentamento, alegando que o processo de aprovação da lei ocorreu sem o devido diálogo com os trabalhadores. A principal preocupação reside na possibilidade de que a flexibilização das competências e a unificação de funções sob o termo multimídia possam levar à precarização das condições de trabalho, redução de postos de trabalho e achatamento salarial, especialmente para jornalistas e radialistas que possuem formações e especializações distintas. A Fenaj argumenta que a profissão de jornalista exige qualificação específica e responsabilidade ética que não devem ser diluídas por um conceito mais genérico.

A regulamentação da profissão de multimídia, que abrange a atuação em diversas mídias como texto, áudio e vídeo, foi vista por alguns como um avanço necessário para acompanhar as transformações tecnológicas do setor. No entanto, as entidades representativas dos jornalistas e radialistas apontam que a nova lei pode inadvertidamente fragilizar direitos conquistados ao longo de décadas. A alegação é de que a sobreposição de funções pode criar um cenário onde empregadores se sintam autorizados a exigir de um único profissional a execução de tarefas que antes eram distribuídas entre diferentes especialistas, sem a devida compensação ou reconhecimento. Isso pode levar a uma carga de trabalho excessiva e à desvalorização da expertise.

O contexto histórico da profissão jornalística no Brasil é marcado por uma luta contínua por reconhecimento e regulamentação que garantisse padrões de qualidade e éticos. A lei de 1969, por exemplo, estabeleceu requisitos e direitos específicos para os jornalistas. A nova legislação, ao criar a figura do profissional multimídia, levanta questionamentos sobre como ela se alinhará ou conflitará com as normativas existentes, e se haverá uma hierarquização ou fusão das atividades sem o devido cuidado com as especificidades de cada área. A falta de consulta às bases sindicais e a pressa na sanção são pontos criticados, levantando dúvidas sobre a real intenção por trás da proposta.

Diante deste cenário, as entidades sindicais prometem continuar a mobilização para buscar salvaguardas para os trabalhadores da comunicação. O objetivo é garantir que a evolução tecnológica e a flexibilização do mercado de trabalho não ocorram à custa dos direitos e da dignidade dos profissionais. A esperança é que um diálogo mais profícuo possa ser estabelecido com o governo e o Congresso para ajustar os efeitos da lei, assegurando que a inovação se traduza em melhores condições de trabalho e não em retrocessos. A questão levanta um debate fundamental sobre o futuro do jornalismo e da radiodifusão em um ambiente cada vez mais digital e integrado.