Irã Adverte Contra Intervenção Estrangeira Após Ameaça de Trump e Manifestações Intensificadas
As manifestações que eclodiram no Irã nos últimos dias, inicialmente focadas em questões econômicas como o alto custo de vida e a desvalorização da moeda, ganharam um contorno político e um alcance internacional incomum. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizando sua plataforma nas redes sociais, expressou apoio aos manifestantes e criticou o governo iraniano, declarando que “tempos de grandes direitos a serem violados estão chegando”. Essa postura não passou despercebida pelo regime iraniano, que rapidamente classificou qualquer tentativa de interferência estrangeira como uma “linha vermelha” e prometeu uma resposta severa. A diplomacia entre os dois países, já tensa devido a outros fatores, encontra-se em um novo ponto de ebulição.
A agitação social no Irã surge em um contexto de dificuldades econômicas significativas, exacerbadas por sanções internacionais e pela gestão governamental. A taxa de inflação tem crescido, impactando diretamente o poder de compra da população, que vê seus salários corroídos. Além disso, há um descontentamento generalizado com a corrupção e com o que muitos percebem como priorização de gastos com políticas externas em detrimento das necessidades internas. As manifestações, que começaram de forma mais localizada, expandiram-se para diversas cidades, incluindo a capital Teerã, e têm sido marcadas por confrontos diretos com as forças de segurança, resultando em mortes e centenas de prisões, segundo relatos de organizações independentes.
O governo iraniano, por sua vez, atribui parte da instabilidade a fatores externos, acusando potências estrangeiras de incitarem os protestos e de buscarem desestabilizar o país. A declaração de Trump de que “o mundo está observando” e que “o povo iraniano finalmente agiu em relação ao seu governo corrupto” foi vista em Teerã como uma clara provocação e uma violação à sua soberania. O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, ainda não se pronunciou diretamente sobre as manifestações, mas porta-vozes do governo têm emitido comunicados endurecendo o discurso contra os participantes e alertando para consequências severas aos envolvidos em atos de violência ou destruição de propriedade pública.
A comunidade internacional acompanha a situação com apreensão. Países europeus e organizações de direitos humanos têm expressado preocupação com o uso da força contra os manifestantes e chamado o Irã a respeitar o direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica. A possibilidade de uma escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos é um dos principais focos de preocupação, dadas as implicações regionais e globais que um conflito ou um agravamento da crise diplomática poderia acarretar. A dinâmica dos protestos e a reação do regime, somadas à postura de Trump, continuam a definir os próximos capítulos dessa crise.