Bancos Preveem Desaceleração do Crédito e Leve Alta da Inadimplência em 2026
A perspectiva para o mercado de crédito em 2026, segundo levantamentos recentes com as principais instituições financeiras, aponta para uma desaceleração no ritmo de crescimento. Se por um lado a expectativa de expansão da concessão de crédito foi ligeiramente elevada de 7,9% para 8,2% em algumas projeções, a tendência geral é de um esfriamento gradual. Essa projeção de desaceleração é um reflexo de diversos fatores macroeconômicos e de política monetária que moldam o ambiente de negócios. A cautela dos bancos tende a se intensificar à medida que se aproximam de potenciais mudanças no cenário de juros, influenciando diretamente a oferta e a demanda por crédito.
Paralelamente à desaceleração do crédito, os bancos também alertam para uma possível, embora leve, elevação nos índices de inadimplência. Essa dualidade – menor expansão e maior risco de calote – exige uma gestão de risco mais apurada por parte das instituições. As razões para essa expectativa incluem o cenário de juros ainda relativamente elevados, que pode pressionar o orçamento de famílias e empresas, e a possível normalização de taxas de juros após um período de cortes. A inadimplência, um indicador sensível da saúde financeira do país, é monitorada de perto pelo mercado e reguladores, e qualquer aumento, mesmo que pequeno, pode ter impactos significativos na rentabilidade dos bancos e na economia como um todo.
A decisão sobre a taxa Selic, a taxa básica de juros da economia brasileira, é um dos pilares para a formação dessas expectativas. As projeções indicam que a maioria dos bancos acredita que os cortes na Selic devem ocorrer de forma mais proeminente a partir de março de 2026. Essa antecipação de cortes modestos, mas contínuos, na taxa de juros, está ligada às expectativas em relação à inflação e à consolidação das metas fiscais. Um cenário de juros em queda tende a estimular a demanda por crédito, mas a velocidade e a magnitude desses cortes são cruciais para determinar o quão forte será esse estímulo e como ele se equilibrará com os riscos de inadimplência.
A meta fiscal, que representa o objetivo do governo em relação ao resultado primário das contas públicas, também desempenha um papel crucial na construção dessas projeções. Um cenário fiscal mais robusto e previsível pode gerar maior confiança na economia, o que, por sua vez, pode favorecer a expansão do crédito e mitigar riscos de inadimplência. No entanto, a incerteza fiscal pode levar os bancos a adotarem uma postura mais conservadora na concessão de crédito, contribuindo para a desaceleração observada nas projeções. A interconexão entre política monetária, política fiscal e o mercado de crédito demonstra a complexidade da condução econômica e a necessidade de monitoramento constante.